Falar de Thereza Madalena é abrir um álbum dourado da vida social, cultural e televisiva da Paraíba. É revisitar um tempo em que a elegância tinha voz suave, sorriso largo e a rara capacidade de transformar qualquer ambiente em acontecimento. Pernambucana de nascimento, mas paraibana por escolha afetiva e definitiva, Thereza construiu entre nós uma trajetória que ultrapassou os limites da televisão para se tornar patrimônio sentimental de toda uma geração.
Havia nela algo que as câmeras jamais conseguiram captar por inteiro: a humanidade. A televisão mostrava a apresentadora impecável, a mulher refinada e a entrevistadora preparada. Mas quem conviveu com Thereza conheceu, sobretudo, a amiga generosa, a anfitriã atenta aos detalhes e a figura humana incapaz de negar afeto ou gentileza.
Pioneira do colunismo social eletrônico na Paraíba, ela levou para a televisão um universo até então restrito às páginas impressas dos jornais e revistas. Fez isso sem afetação e sem transformar a sociedade em vitrine de vaidades. Ao contrário. Humanizou personagens, aproximou pessoas e deu brilho aos acontecimentos sem jamais perder a simplicidade elegante que sempre lhe foi peculiar.
Nos tempos áureos do Sistema Correio e, mais recentemente, na TV Master, Thereza fazia da entrevista uma conversa de sala de visitas. Recebia autoridades, artistas, empresários e personalidades com o mesmo tratamento cordial dedicado às pessoas simples do cotidiano. Talvez por isso tenha conquistado algo cada vez mais raro na comunicação: respeito genuíno.
As festas promovidas por ela eram muito mais do que eventos sociais. Eram encontros de convivência e celebrações da amizade. Seus jantares, homenagens e premiações movimentavam João Pessoa e reuniam diferentes gerações em torno da sua presença agregadora.
A sua partida deixa uma lacuna difícil de preencher na comunicação paraibana. Some uma referência de elegância, bom gosto e civilidade em tempos cada vez mais apressados e superficiais. Permanece, porém, a memória afetiva da mulher que atravessou décadas mantendo intactos o charme, a educação refinada e a capacidade de tratar todos com distinção.
Thereza Madalena sai de cena como viveu: aplaudida, admirada e cercada pelo carinho de amigos, telespectadores e admiradores. Porque existem pessoas que passam pela televisão. E existem aquelas, como Thereza, que entram definitivamente para a história sentimental de um povo.
“Cadê Thereza?”
Sai de cena a Dama da TV paraibana
12 Mai 2026- 5

